Por Rio Verde Rural
- 26 acessos
ASSESSORIA
O bloqueio de energia solar em Goiás acendeu um alerta vermelho no setor produtivo e gerou uma onda de indignação entre os consumidores da região. A promessa de sustentabilidade, autonomia e economia na conta de luz esbarrou em travamentos burocráticos e na alegação de saturação do sistema elétrico. O cenário coloca em xeque os investimentos feitos por famílias, comerciantes e produtores rurais que apostaram na geração distribuída fotovoltaica.
Para entender a origem técnica deste gargalo da energia solar, o diretor do Conselho de Desenvolvimento de Rio Verde (CODERV) e engenheiro eletricista Gustavo Lacerda do CODERV explicou a real situação vivida na região. Ao mesmo tempo, a repercussão pública expôs o descontentamento da população com a gestão da rede elétrica e a atuação das concessionárias.
Segundo órgãos reguladores, a infraestrutura da rede de distribuição não estaria preparada para suportar o volume de energia injetado nos momentos de máxima radiação. O engenheiro eletricista Gustavo Lacerda destaca que o problema se prolonga há meses sem uma solução definitiva.
“Esse é um outro grande gargalo que nós estamos à frente dessa luta. E por incrível que pareça, está fazendo um ano. Começou em setembro de 2025 e persiste até hoje. O que o ONS, que é o Operador Nacional do Sistema, junto com a ANEEL, a Agência Nacional de Energia Elétrica, estão alegando? Eles estão alegando que os barramentos aqui da região estão com excesso de energia solar.” — Gustavo Lacerda
A justificativa técnica fundamenta-se na diferença entre a curva de consumo e a curva de geração ao longo do dia, com foco especial no período diurno:
“Como que eles medem, como que eles descobrem isso? Eles estão falando que, por exemplo, no horário de almoço, o que acontece? Várias empresas, o pessoal que trabalha nas empresas, desligam ali seu escritório, sua sala, vai lá, desliga o ar condicionado, desliga as lâmpadas, desliga o computador e vai embora para sua casa almoçar, vai almoçar no restaurante. Então, no horário de almoço, onde todo mundo sai para almoçar, reduz a carga. E aí, ao contrário, o horário de almoço é onde a energia solar mais gera. Então, você tem baixa carga para consumir e alta produção, altíssima produção. Então, essa energia acaba voltando para a subestação da concessionária e pode danificar os equipamentos. Então, é isso que eles estão alegando e começou a bloquear os projetos.” — Gustavo Lacerda
Outro ponto grave relatado pelo especialista é que até mesmo microgeradores que deveriam ter aprovação simplificada foram afetados. A Lei 14300 energia solar, que regulamenta o setor, estabelece diretrizes para a conexão de sistemas menores sem a exigência de estudos complexos.
A intervenção de entidades foi necessária para fazer valer a lei frente à conduta da Equatorial Goiás energia solar:
“Tem um projeto que ficou, começaram a ser bloqueados em setembro, projetos pequenos que eles foram liberar, tem uns que eu tomei conhecimento, que foi liberado tem três semanas, desde o ano passado, liberou agora. Mas isso com muita reunião, com a gente precisando de envolver algumas autoridades para conversar com o pessoal lá, até porque, Leonardo, existe uma lei chamada Lei 14.300, ela ficou muito conhecida como a lei da taxação da energia solar.” — Gustavo Lacerda
“E lá na Lei 14.300, fala que os projetos, eles não são passíveis de estudo se ele for até usar os inversores, que a gente chama de fast track, ou então inversores de potência até 7,5 quilowatts. Então, eles estavam bloqueando até isso. E foi justamente em cima disso que nós trabalhamos, porque isso aí é uma lei, ela tem que ser cumprida, e a Equatorial deveria estar cumprindo essa lei.” — Gustavo Lacerda
Apesar da liberação gradual dos microgeradores, os sistemas de médio e grande porte permanecem paralisados:
“Aí, com muito custo, acho que foi lá para fevereiro desse ano, eles começaram a liberar esse projeto, mas projetos maiores do que isso para a nossa região, continuam bloqueados. E sem previsão de retorno. Porque isso depende de grandes obras, que são os linhões para dissipar essa carga, essa geração, essa energia gerada. E esses linhões são obras que são do governo federal, que não competem com a concessionária e nenhum outro estado. E aí vai para leilão, tem os leilões da ANEEL. Então, são obras que têm previsão para 2032, por aí…” — Gustavo Lacerda
“Só no Brasil mesmo”: a voz e a revolta dos consumidores
A explicação não convenceu a população. A publicação do caso na página Rio Verde Rural gerou uma enxurrada de comentários indignados. Os leitores apontam contradições entre a tese de superávit energético e a realidade dos boletos bancários.
Um dos pontos mais citados pelos leitores é a relação direta entre a redução do valor das contas de luz e o desinteresse das distribuidoras em aprovar novos projetos:
“Com clientes que têm geração própria, a receita da Equatorial dispenca. Só isso! Quer um exemplo. Meu vizinho aqui no Bairro Martins, pagava em média 580 a 640 reais mensais de energia. Depois que ele instalou a usina fotovoltaica, a conta dele despencou para 60 reais.” — Leitor da comunidade
“Só no Brasil mesmo! A sustentabilidade não é política pública!” — Leitor da comunidade
Outro morador relatou problemas no faturamento após a troca da concessão no Estado:
“Engraçado que quando era ENEL eu tinha superávit de geração de energia solar, virou Equatorial minha geração ficou deficitária com contas de até 600 reais. Já abri chamado, questionei e eles não dão retorno e não fazem auditoria no meu relógio.” — Leitor da comunidade
A contradição de existir “energia em excesso” enquanto os preços continuam elevados foi o combustível principal para a revolta dos internautas:
“Tem excesso de energia solar, e valor altíssimo da energia em casa.” — Leitor da comunidade
“Tem que viver pra ver, antes não tinha recursos naturais pra gerar energia, hoje tem uma forma de gerar energia e consequência seria baixar a conta pros consumidores, mas, não dá certo por não saber o que fazer com o superávit energético.” — Leitor da comunidade
“O tal ‘fluxo reverso’. Pra piorar, a ANEEL determinou que novos projetos de solar nas regiões do sudoeste e do entorno não serão conectados.” — Leitor da comunidade
A tese do ONS de que o desligamento de ar-condicionado e computadores na hora do almoço causa colapso na rede foi duramente criticada por ser considerada desproporcional:
“Como se ar condicionado que consome 1kw/h e computador também 1kw/h fossem os culpados.” — Leitor da comunidade
“Conversa pra boi dormir da ONS. A rede de distribuição distribui para aonde está consumindo. E as Unidades Geradoras estão consumindo na geladeira, na máquina de lavar louça, no ferro elétrico, no carro elétrico, nos supermercados, nas refrigerações.” — Leitor da comunidade
Diante dos bloqueios impostos pelas concessionárias, muitos consumidores já vislumbram a independência total do sistema elétrico tradicional por meio de tecnologias off-grid e baterias de alta capacidade:
“Não vai demorar muito tempo, poderemos armazenar nossa energia em baterias iguais às dos carros e não precisar mais da distribuidora.” — Leitor da comunidade
“Só conversa fiada! O problema que quem coloca energia solar, não paga mais conta de energia e compra um carro elétrico e não dá mais dinheiro para a Petrobras! Dizem que não tem energia para os carros elétricos e agora está sobrando, como assim! É só aumentar os postos de recarga e estipular os horários de maior produção para direcionar para grandes subestação a bateria, como já existe da Tesla na Austrália, montar e alugar grandes centros de Data Center para IA e etc… o que falta é gente com coragem para mudar esse país atrelado a uma meia dúzia de empresas amigas dos seus amigos!” — Leitor da comunidade
Por fim, o desabafo que resume o sentimento geral sobre as barreiras impostas ao desenvolvimento tecnológico e sustentável no país:
“É lamentável ver os brasileiros que trabalha duro, e se destaca como os meninos do SENAI em várias competições mundo a fora, cientistas que sem nenhuma estrutura ainda se destacam, agricultores que não têm nenhuma segurança de preço e nem produtividade pelo governo, se ver freados pelo jogo de interesses de uma minoria! Precisamos mudar isso, hoje como na época da colônia só produzimos matéria-prima para alimentar o mundo e pagamos tecnologia em tudo para quem investe!” — Leitor da comunidade
NOTA À IMPRENSA
A Equatorial Goiás esclarece que todas as solicitações de geração distribuída são analisadas individualmente pela companhia. A conexão de novos empreendimentos deve considerar as condições de segurança e confiabilidade de todo o sistema elétrico, conforme as exigências do órgão de regulação.
Nesse processo, é necessário considerar também as condições do Sistema Interligado Nacional (SIN). Em diferentes regiões do país, têm sido registradas restrições e cortes de geração em razão do volume de energia já conectado ao sistema e das condições da rede de transmissão para o escoamento dessa energia.
Quando a análise de uma solicitação identifica impactos que envolvem o sistema de transmissão, é necessário realizar consulta de acesso junto ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A avaliação considera a possibilidade de atendimento, os impactos na rede e as eventuais obras necessárias na Rede Básica.
Quando são necessárias intervenções na rede de transmissão, essas obras são previstas no Plano de Outorgas de Transmissão de Energia Elétrica (POTEE), elaborado pelo Ministério de Minas e Energia (MME).
Assessoria de Imprensa da Equatorial Goiás
Este conteúdo é de responsabilidade do site Rio Verde Rural. Para reprodução, é necessário citar a fonte: www.rioverderural.com.br, conforme a Lei de Direitos Autorais (Lei nº 9.610/98)